EVENTO

JOVENS JORNALISTAS FALAM DA ENCRUZILHADA ENTRE MÍDIA E DEMOCRACIA, NO BRASIL

Semana Acadêmica de Jornalismo da UFRRJ (de 20 a 24 Agosto de 2018), coloca, num único evento, jovens jornalistas do futuro próximo que querem discutir, com coragem, a realidade do mercado.

Da esq. p/ dir.: Ana Beatriz Claiton Santana, Yasmin Santos, Clayton Santana, mediadora, Michele Furtado e Luiza Tapajós.

Mariá do FavelaArt, no Complexo do Alemão fala de "verdade nua e crua". 

Depois de 3 anos sem realizar o evento, semana passada os alunos da UFRRJ - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, realizaram a Comunicar, Semana Acadêmica de Jornalismo.

 

Este ano, o tema escolhido por uma votação entre 34 alunos de Comunicação, foi Midia e Democracia na Encruzilhada:

 

“A gente queria um tema que englobasse muitas coisas que vimos no curso. As 34 pessoa que formaram a Comissão do Evento, de forma democrática,  escolheram o tema. Depois de 2015, que foi antes do Golpe, a gente não teve mais a COMUNICAR mas teve a necessidade de falar (…) principalmente da democratização da mídia. Principalmente para a gente que está fazendo jornalismo numa universidade pública, o que podemos fazer pela mídia hegemônica. ” conta Vinicius Andrade, um dos organizadores da Semana Acadêmica de Jornalismo.

Conselho formado por 34 alunos decide, de forma democrática, o tema da Semana de Jornalismo:

Midia e Democracia na Encruzilhada

O evento contou com oficinas e ilustres convidados além de mesas de debate com temas sensíveis e definitivos p/ o futuro de um bom jornalismo: 

 

Etnia na Mídia

Comunicação de Favela por Favelados

Minorias na Mídia

A maior mesa, na quarta-feira dia 29 de Agosto, falaram Ana Beatriz Claiton Santana, Yasmin Santos, Clayton Santana,

mediadora, Michele Furtado e Luiza Tapajós.

 

“Uma revista nos organiza e nos une, nos faz pensar juntas. Para a gente poder entender a potência de saber o que é ser sapatão.” explica Luiza Tapajós, fundadora da Revista Brejeiras. 

Já Yasmin Santos, estagiária da Revista Piauí nos conta a dificuldade de ser a única mulher negra na redação: “É muito difícil esta coisa de sub-representatividade, principalmente sendo mulher e negra. Não posso errar. Minha mãe não pode cursar nenhuma faculdade. Tenho a responsabilidade e carrego este peso de representar minha família que abriu estes caminhos para mim.” 

Outra mesa que debateu questões importantes foi a de Etnia na Mídia com participação dos Índios Renata Machado e Anapuáka Tupinambá

idealizadores da Radio Yandê. Anapuáka conta que estão aprendendo com os erros, mas estão fazendo a parte deles e aumentando cada vez mais a participação das Comunidades Indígenas na vida do país.  

Os Índios Renata Machado e Anapuáka Tupinambá

idealizadores da Radio Yandê

Michele Silva do Jornal Fala Roça (Rocinha) "os moradores viraram protagonistas."

Na Mesa de Comunicação de Favela por Favelados, tinha a excelente participação de Michele Silva - fundadora do Jornal Fala Roça da Rocinha junto com seu irmão Michel Silva - que acaba de voltar de um intercâmbio universitário internacional:

 

“Primeira vez que eles (os moradores da Rocinha) se vêem como protagonista sem ser pela pauta da violência e do vitimismo. Isso é muito importante, dá para os moradores uma nova identidade. Mostra o ser humanos que eles são.” conta Michele.

 

Do mesmo modo, Mariluce Mariá, que já desenvolve o árduo e sensível trabalho de ajudar dezenas de meios de comunicação a criarem pautas mais justas e sensíveis sobre as 8 favelas do Complexo do Alemão, onde atua, concorda e afirma:

 

“Os moradores não falam (com a imprensa) porque ‘ainda’ não confiam. Mas não teremos medo com estes jornalistas que estão vindo aí.” 

 

Mariá, fundadora do FavelaArt, um projeto que destaca sua representatividade nesta comunidade no Mundo todo, fala e repete em palcos como o da Universidade de Stanford nos EUA a mesma coisa que diz nos bastidores da grande mídia tradicional brasileira quanto esta a chama p/ ajudar co pautas. Defende que é necessário mostrar a realidade sem com isso estigmatizar o povo das favelas como “vítimas”.

 

“A gente acorda com tanque de guerra blindado na porta da casa da gente sem nenhum aviso, nada e somos obrigados a sair p/ trabalhar. Atravessar fogo cruzado, dar conta das crianças que ficam em casa depois da escola sem atividades e proteção. Eu boto a boca no trombone, falo o tempo todo direto com autoridades, vou direto falar com que comanda as ações do exército, governador, jornalismo das TVs… não desisto. Mas nossa vida continua. Duvido que 10% da população do país que tem representatividade na sociedade é vista pelos Governos e Órgãos Públicos, conseguiriam viver assim. Não somos coitados, somos guerreiros que lutam por meio da arte, da cidadania, de eventos sociais. ” fala Mariá numa entrevista dada recentemente a um Correspondente Internacional.

 

Mariá adorou estar neste encontro porque sua grande vocação é falar com os jovens e, com isso, conseguiu mostrar a realidade das criações distorcidas de pauta aos jornalista de amanhã. 

 

“A verdade tem que ser dita sempre, mesmo, independente do tamanho da dor. As vezes a verdade dói mais na gente que mora na favela do que em quem vai ver a matéria. A gente sabe que dói na alma de quem vê mas tem que ser editado direitinho, sem botar uma narrativa de estereótipo ou querer mascarar a realidade.” afirma Mariá exemplificando como vem fazendo ao colaborar de pautas sendo a metade delas de fora do país.

Mesa de Debate "Comunicação de Favela para Favelado".  Da esq. p/ Dir.: Mariluce Mariá Souza, Michele Silva,  mediadora e Naldinho Lourenço.

Também participou desta mesa, Naldinho Lourenço da Favela da Maré:

“Enquanto comunicadores populares, principalmente na Maré, a gente tenta trabalhar pelo direito da vida.. que as pessoas tenham acesso a este tipo de informação e possam se defender desta mídia que está ai, que mente, omite e manipula.”

 

 

Dentre as Oficina,  a de Mídia Ativista com a ex-aluna da UFRRJ que tem uma experiência rica na área, Jaqueline Suarez

(ex estagiária da TV Record), mostrou-se muito rica. Dando uma visão mais ampla de mercado de trabalho em alinhamento com vida pessoal e questões ricas de cada um. Um discurso importante em dias de mercado opressor:

 

“Eu não sou o que é o meu trabalho. Acho um absurdo quando alguém pergunta ‘quem você é?’ e você responder sua profissão. Eu não sou só.

Você é mais que isso.“ diz Jaqueline.

Paula, fala de jornalismo esportivo em Oficina (Sport TV) 

e os desafios de levantar pesquisa.

Jaqueline, ex-aluna, fale de sua experiência como ativista e ex-estagiária da Record. 

Na Oficina de Jornalismo Esportivo foi com Paula Arantes da Sport TV, os alunos puderam vivenciar um pouco deste mercado já que a matéria não consta do curso da UFRRJ. 

“Agente fala 90% de futebol mas eu tenho que assistir tudo e ficar de olho na empresa de outros países.” conta Paula.

Ainda rolou Oficina de Oratória com Rose Vidal e Oficina de Jornalismo de Moda com Rafael Moura e muito mais!

 

Imagens cedidas pelo Telejornal Universitário

Imagem de Anna Luiza Alvim

Produção de Maythe Mazurec

Deixe sua Opinião!